24 de novembro de 2016

                Nunca imaginei que fosse desesperador descobrir que é lésbica a pessoa por quem se interessa. Surgi uma vontade impulsiva e ineficiente de convence-la do contrário. Quero explicar que isso não faz parte. Quero provar que é loucura. Quero lutar por uma conquista mesmo que contra a biologia da alma dela. Mesmo que fosse a transcender paradigmas dela, a refutar os desejos dela, a inibir os instintos dela. Pois você tinha certeza de vitória e não aceita esse oposto. Pensa que se for por conta de outro o orgulho supera, pensa que se for por dinheiro a humildade justifica, pensa que se for por beleza o passado disfarça, pensa que se for por incompatibilidades o tempo o faria esquecer as indiferenças, mas não, não é nenhum desses e não é nenhum outro, é tão somente algo que não lhe desce, que não se corresponde, não se encaixa na sua concepção cartesiana de olhar a vida, na sua visão egoísta de não se colocar no lugar e pensar apenas na sua satisfação medieval. Diante dessa rejeição, embora a experiência o faça saber que exitem outras possibilidades, você não se esquecerá que a troca não se deu por que talvez você não quis ou não conseguiu se esforçar, mas sim por que jamais você conseguirá competir.

              Que sorriso largo e encantador. Quem sabe não me confunda com outro alguém, que vive bem como pode. Dores e alegrias como condição. Mas se não me atrapalhar saberei quem sou. Um homem de coragem para fugir, ou você é convencido de que quem foge é covarde? Falta-te mais realidade para perceber que fugir é um ato solitário.

O Ser e o Nunca

          Depois que nasci, passou um tempo fui para escola. Na educação física aprendi a jogar futebol e tenho jogado deste então. Nunca fiquei com uma mulher que jogasse. Na adolescência pratiquei kung fu e agora meto um muay thai no período da noite. Nunca troquei socos com quem amasse, e na violência fosse possível o perdão pela consciência da recreatividade. Nunca namorei uma mulher fitness ou que ao menos conseguisse correr 2 km. Também gosto de magrelas, mas só me relacionei com gordinhas. Também gosto de salada, de dieta, de nutrição, mas só me envolvi com as que no máximo acreditavam que leite desnatado e pão integral fossem saudáveis. Também gosto de tênis importado, calça cara, camiseta de grife, mas só me entreguei a quem no máximo usava melissa e repetia a roupa pelo menos uma vez na semana por mero desalento. Mais tarde comecei a escrever e peguei amor pela coisa. Nunca troquei cartas com uma escritora romântica ou uma leitora ávida. Nunca trepei até o fim no papel. Até no whatsapp, todas foram precoces. Iniciei-me no superior em administração e na universidade fiquei com algumas garotas, mas depois de formado não me casei com uma que tivesse CRA. Não tive história romântica após a formatura que jamais me fizesse esquecer os dadashows, os slides, a TGA. Não me realizei amorosamente na profissão e me parece um tanto frustrante esse fato, talvez por isso não tenha encerrado minha carreira acadêmica e inconscientemente ainda tenha esperança de nas cadeiras das sala de aula estudar o meu amor. No meu primeiro ano de psicologia nada aconteceu. Li Freud, mas nunca consegui compartilhar às vontades do inconsciente. Nunca beijei uma estudante de psicologia, só de engenharia e educação física. Desisti trancando a matrícula, mas colocando a culpa na mensalidade. Comecei sozinho a ler Nietzsche e nunca tive a companhia de uma mulher para dividir a incompreensividade da razão. Comecei sozinho a ler Marx e nunca tive com quem revolucionar a alma, partilhando esperanças sociais ou caçoando da religião por ser o ópio do povo. Meu estilo musical preferido é r&b, mas ao lado do meu coração só vibrou sertanejo. Já fiz alguém feliz assistindo Mad Max, mas suspeito que nunca aceitaria ver uma peça como Hamlet de Shakespeare final de domingo. Estudei para concursos, mas sem a chance de rachar uma apostila, fortalecendo a união. Sei andar de patins e, enquanto ninguém esteve disposto a aprender, estive a ensinar. Não sei tocar violão e, enquanto ninguém apareceu para ensinar, sempre estive com o meu querendo aprender. Sei fazer cálculos matemáticos, mas não sei falar outro idioma e, enquanto ninguém apareceu para aprender ou ensinar, sempre estive buscando explicação. Não sei cantar nem dançar, mas sei nadar e cozinhar e, enquanto estive com vontade de ensinar e aprender, nunca ninguém surgiu disposta cantando com as pernas. Já me relacionei com grandes amores, mas nunca me relacionei com grandes iguais. Já tive maravilhosas companhias, mas nunca tive ideais semelhanças. Não sei se seria bom ou ruim, mas depois que nasci, na verdade, nunca me encontrei.

A Mentira de um Verdade

                       Eu sei um segredo. Eu sei uma verdade. Eu sei de algo que posso provar. Sou parte desse delito. Fui cúmplice da quele vício. Mas a última coisa que eu queria era expor essa informação. A última coisa que eu queria era usar da minha sinceridade para algo tão delicado, algo tão sensível, algo tão secreto. Eu causaria problemas se contasse isso, e acabei causando, porque acabei contando. Não foi de propósito eu não juro, não quero jurar mais nada porque não fará diferença qualquer juramento, qualquer conceito de valor: por revelar esse segredo perdi o meu valor. Precisei me tranquilizar para realizar um procedimento médico no olho e depois de realizado, sob os efeitos psicóticos do remédio eu me transbordei. Disse o que não deveria dizer para a pessoa que não deveria saber. Eu falhei nos cuidados com a palavra. Eu falhei com a minha própria confiança. Eu me julguei mal, me senti capaz, me sentir cadeado, me senti cofre, mas não passei de uma caixinha de bombons. O dono do segredo me perdoou pela traição. Ele reconheceu que eu só falei porque estava dopado. Mas o problema é que ninguém acreditou em mim. Quando disse para quem não deveria dizer, essa foi dissimulada, no fundo, pensou que eu estivesse mentindo para prejudicar o dono do segredo. Daí outras pessoas muito queridas por mim também seguiram nessa linha de pensamento. O dono do segredo, de que também faço parte, é o único que sabe a verdade, o único que confirmaria a minha pureza, que me livraria da má interpretação, que me libertária da prisão moral e injusta, da crucificação, da caveira que fazem de mim, pois se errei em dizer o que não deveria dizer, errei por conta disso e jamais deveria ser julgado como errado por além de dizer, mentir. Eu não menti! O dono do segredo sabe disso. Dei a sugestão da gente se entregar e contar toda a verdade, mas ele não quis. Disse que eu quem abri a boca e ele não quer se prejudicar com as pessoas queridas, nem ficar com a reputação queimada. Para ele o segredo é um vexame e aos queridos também é encarando com opressão. Então serei taxado como mentiroso, maldoso, cruel, salafrário, louco, diabólico, demoníaco, impertinente, insuportável, asqueroso, repugnante e ele uma vítima. O pior é que eu guardo um enorme sentimento de apego pelas pessoas queridas. Amo-as, talvez não todas, mas para eu seria importante manter a ordem, a harmônia, no mínimo o silêncio. O pior ainda é que o dono do segredo, pessoa que tanto prezo, tanto estimo, foi proibido moralmente de falar comigo no sentido de tentar ao máximo se afastar da minha companhia considerada traiçoeira, maligna, perniciosa, nefasta, mal-intencionada. Foi censurado. Foi oprimido. Diz que gosta de mim mas também gosta dos demais. Diz que agora para mantermos contato só fora de vista, oculto, só encoberto, só sigiloso, só escondido, só clandestino, na madrugada da mentira ou na penumbra da verdade, o dia não iluminará nossos olhares, o sol não bronzeará nossas conversas, talvez só os morcegos, a lua e as corujas observaram e nos faram companhia. Sinceramente, fico imaginando onde está a esperança? Essa senhora que tanto falam. Fico pensando que além da tragédia que é minha vida há outras pessoas com problemas ainda piores, vivendo coisas ainda mais cruéis e horrendas entre amigos, entre família, entre parentes, entre vizinhos... E algumas totalmente cristãs, ou budistas, ou candoblecistas, ou judias, ou pagãs... Com suas fés, suas convicções, suas esperanças lançadas em forças que sinceramente não as vejo. A quem recorrer? Ou, por que desistir de ser materialista, de querer poder, para escolher pessoas ou abandona-las quando quiser. Como não odiar? Como não sofrer? Como não chorar e chorar ao se ver não apenas sozinho, mas condenado. No fundo nunca quis ser sozinho. No fundo sempre amei e quis ser amado. Mas aí diante desses impasses como não desejar a solidão já que ela nos é forçada. Eu não optei por se excluir, e muitas pessoas também não fizeram disso a sua escolha, é que simplesmente por necessidade temos que aprender a vivermos sozinhos.

        Não entendo a desgraça da minha cabeça. Quando estou solteiro me sinto vago demais e desejo urgentemente namorar. Quando namoro me sinto ocupado demais e desejo imparcialmente me isolar. E fica assim a porra amorosa da minha vida.

Esquecer-se

Você está cansada é verdade. Você está exausto também, sabe-se.
A vontade é de abandonar o trabalho, não acordar mais, definhar abraçado ao travesseiro, encolher-se no canto e não erguer nem mais o braço para atender a porta e pedir ajuda.
Você se cansou e não foi à toa. Tem lutado todos os dias. Todos os dias uma luta nova.
O sofrimento parece não ter fim. Nada tem mais sentido, e ordem. A vontade é de não ter mais vontade.
Cadê a alegria? Ninguém mais em casa: os filhos cresceram.
Cadê a ansiedade? Ninguém mais a procura para beijar: a idade chegou.
Cadê a aventura? Os colegas amadureceram e a infância se foi.
Cadê a liberdade familiar de ficar furioso sem o medo de morrer: pais e irmãos agora estão distantes.
Você se cansou e com toda a razão.
Cansou de no momento do almoço ou na hora da pausa comer aquela marmita horrível ou aquele lanche barato.
Cansou de ver carros de luxo cruzarem seu caminho sempre andante e cabisbaixo.
Cansou de se olhar no espelho e ver traços, mas não ver vitórias.
Cansou de se envergonhar de sí mesmo, de se sentir menos, de se sentir pouco, de se sentir vão, de se sentir médio, de se sentir fútil, de se sentir leigo, de se sentir fraco.
Você se cansou e não é exagero.
Cansou de marcar encontros com as mentiras que conheceu na internet.
Cansou de se despedir, cansou de recomeçar, cansou de tantos fins, cansou de tanto se expor.
Você está só aos pedaços. No amor, quando alguém vai embora leva um pedaço da gente.
Eu entendo. Entendo o esforço para ser melhor ou o desânimo por não conseguir ser melhor.
Entendo o sentimento confuso e a vontade involuntária de chorar quando a casa está vazia, o corpo cheio e as torneiras dos olhos preste a explodir.
É impossível não se cansar. Claro, porque a gente também não se esquece...
Vou ler um livro por exemplo. Amo algo que possa ser meu, já que é difícil ser feliz, tento ser específico.
O meu risco é o de muitas vezes aparecer um desgraçado para me lembrar que tenho andado muito distraído. 🙄

Karamazov

       No livre arbítrio, Deus deu à humanidade uma grande responsabilidade, até mesmo um fardo. Todo mundo é livre para acreditar ou não em Deus, e fazer o bem ou não. Às vezes optamos pelo mal pensando num futuro perdão; às vezes escolhemos o mal por questões de sobrevivência; às vezes o mal parece ser o mais oportuno ou às vezes simplesmente nos convencemos de que não faz parte dos planos de Deus fornecer milagres convenientes que forcem os homens a acreditar no que duvidam ou para responder aos desafios da vida de determinadas maneiras. O livre arbítrio torna o caminho da humanidade mais difícil, doloroso e perigoso, mas é necessário se o homem quer evoluir para além do bem e do mal.

8 de setembro de 2016

A boca da morte

    Sei que não morro sozinho.
    Durante o caminho, atrás de mim, têm se formado um lindo e infinito cemitério colorido, emudecido pelo triste silêncio do destino, vai abafando o frenético barulho da criançada. A infância é breve e acordamos todos os dias com essa maldita percepção, que nos resgata amargos resquícios do passado. Atrofia nossos sentidos em um mundo de conclusões obvias.  Um mundo que me dá arrepios, cheio de silêncio e mistério. Ultimamente às aves têm se recusado a cantar. A temperatura cai-se abruptamente, como se Deus estivesse atônito. Ninguém se atreve a falar alto, ou por vergonha, ou por tristeza ou medo por mais certo. Isso sem contar que sempre surgi um cheiro de carne podre atrás de mim. Não quero olhar para trás e ver enterrarem os corpos um por um, todos os dias, a todo o momento, em vários lugares. Ninguém presta atenção, mas os olhos dos mortos sempre estão fechados como se esperassem permissão para abrir de novo. Fico pensando: ainda estariam sonhando com sorvetes e pirulitos? Suas casas e carros? Bolo de aniversário, mesmo que sem nem um futuro além da mesma tarde? Suspeito que dariam tudo por mais uma chance. Ou sua inocência é levada com suas vidas, depois do enterro na terra fria? Esses destinos parecem cruéis demais até mesmo para permissão de Deus. Ou as crianças trágicas nascem de novo quando o mundo não está olhando? Eu quero muito acreditar em uma verdade além da nossa, escondida, oculta de todos, mas menos dos olhos mais sensíveis. Na procissão sem fim de almas, que não podem e não serão destruídas. Eu quero muito acreditar que apenas não estamos conscientes da eterna recompensa e da tristeza de Deus. Que não podemos ver sua verdade: de que o que nasce ainda vive e não pode ser enterrado na terra fria, mas apenas espera o comando de Deus para renascer e sempre. Onde na antiga luz estelar ficamos em repouso e o nosso corpo, puro como de uma criança, no gramado dourado padece.

A besta que é o homem

    Como homem tem se tornado ainda mais um sujeito besta, não? Antes que você me julgue como alguém invejoso, afirmo que seria um tanto quanto objetivo se você concluísse que estou talvez na verdade tentando aliviar um pouco o sentimento de solidão que por eras reprimi o homem frouxo que somos. Veja que na grande maioria são praticamente mulheres quem publicam ao vivo e veja também que são homens quem curtem e fazem comentários. Embora substancialmente ninguém ganhe nada com a circunstância, ela pelo menos ganha estatus virtual, que até poderia ser materializado por quem tivesse um público extraordinariamente grande, que não é o caso da maioria quem posta ao vivo: atualmente quem é famoso fez e faz fama por meio outros canais; a postagem ao vivo seria apenas algo paliativos diante dos seus inúmeros recursos áudio visuais e maneiras criativas de se expressar. O problema na lógica é o sofrimento, esse sim, invejoso, de uma condição de inferioridade que o homem sozinho se impõe. (daí, quer usar sua força física para mostrar poder sobre a "superioridade sexual de atratividade" que elas sempre tiveram). A besta que o homem é tem dado ibobe demais a isso. O contexto revela que são elas quem têm se apresentando virtualmente com uma frequência e potência espantosamente superior a eles. Essa presença massiva das mulheres se dá pela fugacidade de oportunidades e amplitudes desconhecidas ainda por elas mesmas em sua totalidade e proporcionadas por uma onda de emancipação feminista forte, pautada por premissas de liberdade e igualdade. O homem diante dessa nova realidade não deveria se desesperar (novamente). Assim como hoje há cotas raciais por questões de dívida histórica, nosso gênero, por esse ponto de vista, terá muito o que pagar. O homem deveria ficar mais calmo. Deveria entender com tranquilidade que tudo é só um começo. Que o sexo um dia será apenas contado, assim como outras tantas mentiras que atualmente contamos em mesas e rodas de bar. Muitas coisas se tornaram lendas. Muitas outras só constaram em registros. Outras serão vistas como antiquado. Outras como bárbaro. Outras como desespero. Pois pare e pense: a história masculina é uma história de desespero, caracterizada por ambições, por ganâncias, por violências, por fobias. O homem nunca foi um sujeito naturalmente pacífico, sereno, ponderado, satisfeito. O homem continua uma besta movida por um incontrolável prazer que se não for atingido se não for atingido o faz se colocar numa condição de fracasso e impotência. Note que se ele como sendo um sujeito normal postasse algo ao vivo não teria tanta repercussão e visualização pelo público de seu próprio gênero nem quando do gênero oposto. É uma falácia acreditar que sim. Assim como é um equívoco acreditar que se você curtir e comentar o vídeo dela ela irar te chamar e lhe dar atenção. Isso é desespero, e o pior é que estar desesperado não é um diferencial, é se igualar aos milhares em sua própria decadência. O homem precisa criar uma nova identidade e largar a mão de ser frouxo. Entender sua vida e seu corpo a partir de um ponto de vista masculino, e não se basear no feminino. Não é que estou sendo invejoso em relação a globalização da mulher; não é que  estou dizendo que homens não são sensíveis e que mulheres não são práticas; estou dizendo que até o momento não se sabe o quanto o homem esconde sua emotividade e a mulher sua racionalidade, sempre em busca de caberem dentro de um modelo social. Minhas duas tristezas são: não ter estudado farmacologia neurológica para desenvolver um remédio eficaz na inibição de desejos e ansiedades e outra é talvez não estar vivo para ver alguém criar, dando fim a essa grande doença fisiológica que é o prazer.

A minha ex....


     ...foi sedenta, continuará sedenta, até enquanto "desempedida", é talvez, pois não confio mais. 🙃 Aliás, quem confiaria em ex? 😒 Aliás, quem "impede" uma mulher?

     Humm, você deve estar aí pensando: lá vem o "corno" lamentar dores de cotovelo.
     Humm, ou, você deve estar aí imaginando: vixe, irá esculacha a "coitada" com elucidações machistas, generalizando o gênero.
Ou, você deve estar aí esperando que eu diga algo desconstrutivista, degenerativo, repugnante, opressor, que chegue mesmo como um ataque ofensivo a ela onde quer que esteja.
Ou, você também poderá adivinhar que no fim irei bancar o "santo", concluindo minha indignação, que você também poderá achar coerente ou incoerente, mas de qualquer forma sentirá vergonha por mim.
A um ano atrás estas deduções "vitimistas" seriam as minhas mais puras verdades, mas com muito esforço pessoal superei o preconceito que todo "chatinho" politicamente correto com sede de vingança encarna.
A maior dificuldade de alguém no relacionamento amoroso (e também em quase todas as coisas que envolvem relações humanas) é saber e aceitar consequências de situações em que você se coloque no lugar do outro.
Descobrir e julgar é muito fácil quando achamos sermos as únicas "vítimas". Sei lá se no amor "romântico" de fato é possível definir anjos e demônios.
Pare e pense como parei e pensei: o fim realmente foi o fim? Quando não foi, fizemos o que além de repetir erros ou "acertos"? E será que, para ter chegado ao fim, de nada tivemos culpa? Nada, absolutamente nada, poderíamos ter feito para reverter as indiferenças?
Coloco-me no lugar da sedenta e penso se não faria as mesma coisas... Penso se diante de um relacionamento frio, de hábitos repetitivos e com sinais próximo do fim, não aceitaria um convite a sair com uma ex que ficou linda após anos. 😏 Será mesmo que se depois da desgraça de uma separação no dia seguinte não pensaria no lado bom do passado que tive com outras e não faria comparações em relação ao infortúnio vivido agora? 😐 Será mesmo que se no outro dia eu recebesse um "sim" a um encontro não aproveitaria a oportunidade para desabafar e tentar esquecer? Por que não?

     ...na boa, somos todos sedentos, nas várias ou misteriosas formas. Somos capazes de fazer e  desconstruir muita coisa quando o problema é obter atenção ou suprimir rejeições, independe de gênero, época e sociedade.

    É amigo, se você é alguém como eu que se sente traído minha dica urgente é partir para gozar com outra.
Mas se não tiver tão fácil assim resolver o problema, aceite tranquilo os pares sobre sua cabeça e jamais, jamais, leu bem, jamais posicione como inocente, até porque hoje em dia, no amor, inocente nunca sai ganhando.

Parabéns

    Se eu reclamasse sobre algo em minha vida alguém poderia jugar ser ganância, ser luxuria, ou avareza, ou excessos. Você também: quantas vezes ao reclamar foi ignorando? Quantas vezes ao chorar foi superestimado. E esquecido, ao sumir.

     Quantas vezes ao reaparecer despercebido. Quantas vezes ao se lamentar contrariado? Só você pode justificar suas aflições. Só eu posso provar minhas dores. Logo, somos nós mesmos as melhores pessoas para resolverem nossos próprios problemas.

     Lembro que quando era criança, para esquecer dos problema e me distrair, procurava os amigos em suas casas quase todas às tardes. Brincar é um excelente remédio. E aos dias terminavam em noites cansadas e eufóricas.

     Que bom. Cheguei a tempo antes da extinção do pega-pega, do esconde-esconde, do pião, da bolinha de gude, do pipa, do peixão, da gerequetinha, dos tazos da Elma Chips, do Looney Tunes, dos cards, do Yu-Gi-Oh!, das Beyblades, do Orkut, do MSN, e hoje é gratificante ver algo como Pokémon se ressurgir. Embora ainda não tenha instalado em meu celular sou feliz por você que é feliz com você.

     Se sinta feliz mesmo por ser quem você é, pois se de um lado alguém te despreza pela brincadeira, de outro alguém te admira em localizar de modo tão simples a alegria.

      Capture sua felicidade e não tenha medo de vivenciar seu presente, porque ele era o futuro de um passado que também foi feliz: as brincadeiras apenas evoluem e se renovam.

     Não olhe tanto com desprezo para os defeitos que lhe apontam. Se for para olhar, olhe com humor.

     Sim. Parabéns para você que jamais deixou de ser criança. Que amadureceu na responsabilidade mas permaneceu infantil na simpatia.

    Sim. Parabéns para você que desejou estudar mais e navegar menos.

    Parabéns para você que se arrepende todos os dias por perder tanto tempo conectado e distraído entre ruas.

     Parabéns para você que às vezes se sentiu mal em estar a todo momento online compartilhando tudo o que vê sem nenhuma lógica ou propósito.

     Parabéns para você que às vezes sentiu urgência em mudar de atitude, em desativar suas contas, em sumir por um tempo, e nunca conseguiu (eu dificilmente conseguiria).

    Parabéns para você que descobriu ser viciado com seu celular e buscou soluções radicais que nunca funcionaram.

    Parabéns para você. Parabéns para nós. Reconhecemos que a vida não é fácil, que somos carentes, que inúmeros acontecimentos nos machucam e que brincar tem sido nosso melhor remédio.

    Tenha paciência consigo mesmo. Quem procura remédio procura nada mais que a própria cura.

    Brinque!

Cuide-se

    Duvido que sua felicidade esteja na balada. Duvido que se sinta bem com o fim de uma noite fugaz, sem dormir, olhar para o céu amarelo azul escuro sem nada para contar. Duvido que um dia narre suas experiências de noitadas aos seus netos antes de dormir. Duvido que sua vida termine assim, até porque ela não começou assim: você escolheu assim a procura desenfreada de amenizar seus medos. Na verdade, o que você mais gosta é de alguém que goste de você. Cuide-se.

Se não te conhecesse tão bem

   O maior problema de conhecer profundamente alguém é o de passar a desconfiar de tudo. Quando conhecemos de verdade sabemos das coisas que não nos foi contado. Quando conhecemos realmente sabemos dos fatos encobertos, de situações omitidas, das falsas verdades. Quando realmente conhecemos os segredos tornam-se fofocas, as mentiras viram-se pecados, todo perdão transforma-se em castigo. Não há misericórdia, não há diálogo, não há compaixão, não há paciência e a reciprocidade é colocada como resumo nos momentos de cansaço: iria gostar se eu fizesse isso com você? então pronto!

   É muito difícil para o outro acreditar que realmente nada sobre ele é mais mistério. É muito difícil para o outro aceitar que nada que ele fale terá crédito instantâneo. É muito difícil superar essa vergonha. Perde-se a dignidade da palavra. Perde-se o respeito da conversa. Perde-se a estima. Pois haverá momentos de sinceridade que serão contrariados. Pois haverá momentos de desespero que não serão legitimados. Pois haverá momentos intencionais de um silêncio irônico ou momentos de uma escuta meramente debochada. Você poderá até se esforçar em acreditar, em levar a sério, em demonstrar respeito, mas você conhece a figura! Já carrega a experiência de tribunal, onde a "peça" recorre até às últimas instâncias de um amor coagido, de um amor dissimulado, de centenas de juras e promessa em vão. Você não é mais a "burra"  Guarda todos os prints. Arquiva todos os áudios. Salva todas as conversas.Memoriza cada erro e a riqueza de seus detalhes. Até porque você não quer mais ter que provar sua inocência, perder seus neurônios, chorar de ódio nem deixar de dormir por se sentir culpada. Você não vai mais se frustrar.

    Entretanto, somos todos bobinhos na paixão. Só enxergamos beleza, por mais que seja um deserto ou um pano de chão sujo. Só enxergamos beleza, por mais que seja o inferno, imaginamos ser um inferno merecido, imaginamos sermos os culpados. Mas depois do convívio diário descobrimos o inesperado. Chocamo-nos com a realidade sórdida, de uma conduta desprezível. Surpreendemo-nos com o que antes era improvável e impossível. No primeiro instante iria sangrar mais, iria doer mais, iria ferir mais, como o preço de qualquer verdade. Mas só no primeiro instante, porque depois não haverá mais o que machucar, nem o que doer. Você já não será mais uma recruta, nem uma principiante. ✔ Se você não o conhecesse tão bem...HAHA Espero estar errado, mas parece que quanto menos a gente  conhece melhor a gente convive.

Schadenfreude

    As premissas da marginalidade carregam peculiaridades motivacionais fortes de uma fé aparentemente irrefutável. Constantemente erramos e pagamos, então como não desejar o fim do sofrimento? Depois do arrependimento, como não esperar ansioso o som da liberdade? Pois se a realidade é cruel, como não se confundir se é melhor procurar paz ou se é melhor fazer justiça? Não acreditar esperançoso que um atual sofrimento indique uma futura alegria? E como duvidar que tudo possa ser apenas uma fase e que logo passará? Pois como desacreditar que de fato é possível sim chorar agora, mas rir depois?

Nunca pare de imaginar

    Imagine que para criar seu filho você dependa de alguém que deseje seu fim? Imagine ter alguém que enquanto poderia ser seu(sua) parceiro(a) é seu(sua) maior inimigo(a). Imagine ver seu sonho de ser família acabar e, como se você despertasse para uma realidade cruel, sentir-se vulnerável, sozinho(a). Imagine ser forçado a tolerar um pai violento por não ver outra saída. Imagine ser obrigado, na guarda compartilhada, a conviver com a mãe uma criação egoísta, uma educação meia boca, e não poder falar nada, não resolver nada, pois percebe que não adianta, o estresse da discussão que se passa já não compensa mais. Imagine desistir de uma vida fragilizada e inocente para meramente se salvar. Imagine fazer do abandono a terapia. Imagine fugir para viver. Imagine viver para fugir. Imagine largar os filhos e saber que está largando. Imagine ver os filhos largados e sentir não ser capaz de sozinho(a) acolhê-los. Imagine ver o pai super gentil e, sem entender, descobrir que era tudo para agradar a atual mulher. Para impressionar. Para se mostrar sério e responsável. Para se fazer descente e disposto a um futuro dentro de casa. Para causar boa aparência de engenheiro familiar, que arrumará a torneira da pia, que trocará a resistência do chuveiro, que modificará o quintal para as crianças, que estará de plantão para emergências, que sorrirá do inicio ao fim no passeio com as(os) peraltas(os) mesmo sabendo da farra que a ex estará fazendo do outro lado com as amigas, com ótimos planos e projetos de um homem moderno e espiritual. Imagine você saber que tudo isso é uma farsa, ou pior, imagine suspeitar que possa ser real, que ele mudou... É difícil eu sei, principalmente quanto a "paternidade" que é vista como um capricho do romance, não como uma decisão para vida inteira. Que tristeza deve ser perceber os telefonemas se estreitarem, o perfil mudar, as visitas espaçarem, os laços aos poucos se esvaírem. Imagine perceber que o outro não sente culpa. Que parece ser capaz e é capaz de engravidar de novo em outra história e repetir a dedicação e multiplicar o êxodo. Imagine se por vários motivos aceite o deportado de volta, o turista de volta, o viajante e explorador de volta, que admita assumir os filhos, mas omita ser exclusivamente por desejar você. Será ótimo e afetuoso com seus dependentes enquanto têm interesse na sua companhia. E agora imagine tudo se repetindo porque foi tudo fachada. Porque usou as crianças apenas para sensibilizar sua alma. Há inúmeros tipos de psicopatas, estes são do amor.

Antes de amar

    Meu tempo sozinho custou caro! Toda minha sinceridade, todas as minhas verdades, não facilitaram em nada meu viver. Meu tempo sozinho foi minha dificuldade de me carregar e me observar sendo exclusivamente eu. Não recuso minha solidão. Não amaldiçoou minha solidão. Me fiz assim. Caracterizei-me assim. Estando só aprendi a ser leal. Estando só decidi aceitar o fato de que não era uma questão de sorte ou azar, mas sim ser quem sou, com todos os medos, com toda a violência, com todas as ansiedades. Cuidei bem da minha liberdade para não virar egoísmo. Cuidei bem da minha vaidade: a solidão foi a sua melhor dieta. Quitei a divida com a consciência pagando com todo esse tempo sozinho. Plantei pequenas informações e hoje colho boas experiências. Por não mentir, fiquei sozinho. Por desmascarar mentiras, fiquei sozinho. Por defender direitos iguais, fiquei sozinho. Minha solidão tem faculdade. Minha solidão tem emprego público. Minha solidão tem os melhores filmes. Minha solidão tem literatura. Minha solidão tem esporte. Minha solidão tem dois amigos fiéis. Minha solidão tem coragem. Quando me conhecer, antes de amar, entenda o que está levando.

Os machucados da esperança

   Sim, eu te entendo.
   Mas entendo mesmo. Não digo que entendo para depois pedir desculpas. Não digo que entendo para depois me enfurecer. Eu fico calmo. Já não tenho mais o que perder com minha ganância.
   Quando digo que entendo é por que entendi. É por que terei a responsabilidade de repensar quando me provar o contrário. É por que terei calma para lhe ouvir. É por que irei evitar oferecer tantos conselhos: conselhos não são mais que críticas singelas.
   Entender é fazer crítica nenhuma. É aceitar ou se redimir, esquecer e deixar rolar. É reconhecer verdades e levantá-las como bandeiras e não se esconder debaixo da cama do rancor.

   Sou completamente ao seu favor.
Deseja ser seduzida, admirada, está exausta de fazer esse trabalho. Não pretende ser simpática, carinhosa, receptiva. Não pretende nada, farta de tentar, de ir atrás, de se arrepender, de amar por dois. Você deseja não pensar agora, não tomar nenhuma decisão agora, não escolher nenhum lugar agora. Você quer histórias para esquecer dores. Você que sentir medo para ter certeza que será sincero. Quer mais palavras, intensas palavras. Você quer compreensão, quer dedos bobos em seus cabelos. Você quer sexo sem sexo, quer gozar com frases. Você quer beijos de despedida, ou de reencontro. Você quer dar não só seu corpo, mas o seu silêncio. Você quer a fofura do ciúme, não a ignorância do ciúme. Você pode aceitar tudo menos ter que provar, explicar, argumentar. Você quer que insista, mas com ternura e garantia de que possa dar conta de tudo de novo. "Você deseja se sentir desejada" Você cansou de ver a eternidade morrer.

   Eu te entendo e não te desejo sorte e nem milagres. Você não precisa de milagres, mas sim de fé. Sem fé, não dá nem para amar.

Nada além

     Não paro com meus pensamentos. Não limito minhas ideias. Esse é meu defeito. Não cerceio a sinceridade. Não gosto de trapacear a vida sendo falso. Prefiro machucar-me com a verdade, pelo menos foi a verdade e nada além.

Nunca mais voltou

      Tem nome e endereço. Mas não a encontro, por mais que a procure. Passou por mim, abraçou meu coração e saiu sem aceitar recompensas. Saiu e nunca mais voltou. O que fica é o abraço e um beijo que já não lembro mais. Saiu e nunca mais voltou. Levou consigo minha vontade entre as curvas do descaso. Saiu e nunca mais voltou. O que fica é esse beijo calado e sem resposta. Poderá ter pensando qualquer coisa sobre mim. Poderá ter se decepcionado por alguma palavra que não sei; nem repreendido fui. Nem gastigado fui. Nem criticado fui. Não tive retorno quanto ao meu comportamento. Sequer fui avaliado. Simplesmente saiu e nunca mais voltou. Não aceitou meus presentes. Não aceitou minhas mentiras. Não aceitou meus conselhos. Não se interessou pela minha vida. Não procurou tolerar meu temperamento. Não reparou no meu sorriso. Não desejou se envolver. Não quis se precipitar. Foi fria. Foi esperta. Foi determinada. Foi misteriosa. Evitou brigas. Acalentou a alma. Evitou ciúmes. Respirou com o coração. Evitou saudades. Se equilíbriou com a memória. Evitou prazer. Retirou as vírgulas do desejo para desejar uma vez só. Eu, evitou, saiu e nunca mais voltou...

Por aí vai

Dependendo de como me vestir me chamaram de swag.
Dependendo do jeito que me pentear falaram que sou gay.
Dependendo do que eu fizer me chamaram de machista.
Dependendo do que eu falar me rotularam de homofóbico.
Se eu ficar calado posso ser taxado como anti-social.
Se sobre tudo eu concordar, alienado.
Ai, se uma hora eu começar a mandar geral se foder correrei risco de ser filmado e uma hora também serei ou processado ou agredido.