Porque o problema não é a droga, o problema é a arma! Você ai meu querido que fica metendo o pau em viciado, que costuma intitulá-lo como “nóia”, você que teve uma vida satisfatória; porque vida difícil mesmo não aquela que você não pôde estudar numa escola particular, comer das melhores comidas e ter vestido roupas de grife, vida difícil é você ter morado num barraco de frente para o córrego, em 5 irmãos, uma mãe imprudente que não te educou e um pai alcoólatra que te abusava. Você ia meu querido não sabe da necessidade e do prazer que é esquecer os problemas. Acender um beck; tragar um baseado; cheira um pó; fuma uma pedra. A escolha é sua! A escolha é dele! A escolha é nossa! Você ai é viciado em café e ninguém te critica. Você não perde um capítulo da novela das 9. Não almoça um dia sem acompanhado por uma coca gelada. Você que fuma cigarro. Que bebe cerveja. Que só de imaginar a dor de cabeça já procura remédio. Que bota aquela música alta horrível todo fds. Você que passa metade do dia no facebook. Ou no videogame. Ou fazendo compras. Ou vendo pornografia ou comendo. Você é outro “nóia” e a única diferença é que umas drogas são lícitas outras ilícitas. Esse é o problema. Uso de droga é uma atitude que jamais poderia ter sido tratada como ilícita. Por natureza o ser humano admira desafios, e não existe nada mais emocionante do que superá-los. Usar algo que é bom já é bom imagina se for além de bom proibido. E por conta disso, da ilegalidade, porém, germinou uma indústria doente: em vez de gerar impostos, o dinheiro dos narcóticos chega ao Estado sob a forma de propinas que fomentam a corrupção. O lucro do negócio é investido em armas que alimentam a violência. Em lugar de empregos, o tráfico oferece às crianças e jovens uma vida de crimes. Arma! Arma meu querido! O problema é arma. Se existisse um governo sério que defendesse a total legalização dos entorpecentes e diminuísse com o contrabando e a distribuição de armas no país, pronto! O “NÓIA” ia fumar sua maconha até o seu dinheiro acabar, então na hora que fosse fazer um assalto para ganhar mais dinheiro teria que fazer usando no máximo uma faca kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk; ao traficante seria a mesma coisa, no transporte da mercadoria, no assalto ao banco, a joalheria, no reforço a fuga do presidio, no roubo de carro, moto, nas balas perdidas entre guerras de facções. SÓ QUE NÃO. A gente vê mlk de 12 anos armado. Bandido acessando o face de dentro da cadeia. Deputados e Senadores sendo denunciados por fazerem parte de esquemas de corrupção e patrocínio ao tráfico de drogas e armamentos. Enfim, depois a culpa cai pro “nóia” e a “maconha”. É foda!
Da flor ao Chorume retrata meu lado literário e retrógrado pela confusa intenção de se autojustificar, traduzindo e condensando minhas opiniões filosóficas e comportamentais a fortes palavras de fúria e de alucinação. Deve ser triste demais precisar e não ter ninguém com quem contar. Entre o passado e o futuro há o presente. Entre o chorume e a flor, uma esperança.
18 de agosto de 2014
15 de agosto de 2014
Adiciona eu no Face :)
Veja como funciona a burrice humana. Embora seja uma rede social, o Facebook não é tão somente um site de relacionamento: é de fofoca também. Aliás, mais de fofoca do que de qualquer outra coisa. E o mané pensa contra fluxo: começou lá no serviço novo com todo o entusiasmo do mundo e, para demostrar ser simpático, saiu adicionando todos no seu perfil. Aqueles que via pelos corredores, os que conhecia no elevador e refeitório, não deixo escapar nem as tias da faxina. Positivo até ai, porque ele nunca vai desenvolver intimidade com boa parte dessas pessoas para quem sabe no futuro o ridicularizar pelas coisas que posta. O problema é que antes disso já tinha procurado todos do departamento, de amigos até superiores hierárquicos: seu chefinho como costuma chamá-lo. Passa nem se quer um mês e da galera toda o mané só conversa com um ou dois no máximo. O resto, dividido em panelas, gritão uns aos outros queremos ver sangue! A ameba continua com os mesmos hábitos neh. É jovem, quer se associar, se inserir, quer se aparecer. Vai para balada e tira aquela foto bebaço, mas lembra que não pode publicar pois seu chefe vai ver. Tira um selfies com aquela mina top, mas se postar vai se queima com a outra do andar de cima que conheceu no corredor. Sai de role com a galera e faz aquele vídeo massa, mas lembra que não dá para colocar no face por necessidade de manter postura profissional já que busca aquela promoção. O mané começa a se constranger e se indignar. Os pensamentos revolucionários surgem na cabeça da mula e logo pensa: foda-se, ninguém paga minhas contas. Sou livre! O cara surta é começa a publicar aquelas fotos ridículas que o pessoal procura até evitar de lembrar. Umas paradas bizarras, mas na verdade simples demonstrações de alegria momentânea. O chefe, sujeito mais profissional até por exigência do cargo, pensa uma das duas: de fato esse cara é retardado; ou, esse cara está muito alegre pro meu gosto. Se o chefe for zueiro, vai zombá-lo sempre que possível diante dos colegas, no almoço, no café, sempre que puder. Se for um indivíduo sério, vai distribuir para ele as piores e mais insignificantes atividades, vai desprezá-lo em reuniões, quando fazer críticas. Enfim, tá fodido porque esse problema é praticamente impossível de reparar, eu pelo menos nunca vi alguém se sobressair recuperando a moral e uma imagem mais digna. Como é obvio, o tempo passa e o jumento ou pede demissão ou é demitido. Mas o problema não acaba ai e o pior ainda não chegou. Nas primeiras semanas fica meio abalado no face. Não pública nada. Permanece sem palavras. Depois começa a se mostrar um pouco mais tranquilo, tipo estou sossegado, consciência em paz. Entra mês e sai mês, as vezes anos e não arruma trabalho. O povo que não tem mais nada a ver com a vida dele só observa. Entra em desespero, mas passa rápido, arruma outro emprego. Desta vez, como já aprendeu a lição, o "empreguinho" novo parece um saco. O clima é tedioso senão estressante, porque como já entrou excessivamente frio e calculista, criou barreiras demais para um bom convívio interpessoal. Bate uma saudade do passado e o que o mané faz? Posta aquelas que a pessoa até se desmarca da foto. E uma parte da galera do antigo emprego o excluí e a outra, faz fofoca!
4 de agosto de 2014
Estação Carrão
Sempre temos um lugar especial. Aquele bairro, aquela estação, aquela passarela, a praça, o orelhão, a barraca que vende agua, a que vende açaí, uma de doces, aquele ponto de ônibus que você esperava ou fazia companhia a alguém, aquele local que todas as vezes que você passa por perto, de longe, devagar, ao lado, entre ou por dentro você lembra. São tantas recordações. Momentos alegres, as vezes tristes, de enormes emoções. Momentos que deixam saudades. Fatos que ocorreram ali e que mudaram sua personalidade e fez em você outra opinião. Que te faz lembrar pessoas, alegremente com sorte, mas com ódio, da pessoa ou do azar de a ter conhecido. A companhia nunca é frustrante! Sempre viva ali. Na pior das hipóteses. Donde só com alguns minutos do seu tempo é que começa a sentir a falta daquele encontro de domingo na catraca para o futsal no parque do outro lado da vila, o colega que na volta da escola descia na estação anterior, o senhor que sempre pedia esmola. Do menino que andava em frente ao ponto de um lado para outro. Daquele cara maluco que você não sabe se ainda está vivo ou não. As pombas. Os cachorros. Aquele muro. Aquela cerca. O céu. Mas esses lugares especiais sempre trazem recordações de uma pessoa especial. Aquela que você o tempo todo evita lembrar. A falta do sorriso. De não poder retribuir. Mas dá um frio na barriga de quem sabe por acaso se encontrar. Só que você se lembra daqueles papos sobre viagens, de um dia ir embora ou daquela última vez que se encontraram. Daí bate um negro vazio. E aquele lugar que até pode ser especial se torna triste e sem sentido. As vezes seria melhor nunca mais vê-lo, independente da sua beleza e do seu lado bom. — em Estação Carrão (Metrô)
"o inconsciente é o discurso do outro", frase de Lacan. Aliás, uma das poucas que o pensamento psicanalítico nos traz e que faz algum sentindo diante de tanta nanotecnologia e ciências epigenéticas. Mas que infelizmente ainda não respondem: quem é o outro? Para Lacan o outro é quem fala por nós. Sei lá o que Lacan quis dizer com isso. Embora se pensarmos bem, o eu que achamos que somos, nem sempre é o eu que dominamos. O nosso domínio é muito pouco sobre nós mesmos. Porque realmente parece que há um outro que fala por nós. Às vezes, por exemplo, queremos não dizer nada; essa é a nossa vontade. Mas por alguma emoção falamos, e pior, as vezes o que não deveríamos. Quando queremos esquecer algo ou alguém; essa é a nossa vontade. E como se existisse um outro, proporciona com abundância saudade e anseio. É praticamente impossível sermos mentalmente o que queremos ser. A gente é o que o outro quer. Falamos o que o outro fala. A vontade pode ser nossa, mas o sentimento não. Para não dizer que não tem dono, dizemos que é do outro. Dizemos que agimos por emoção. Estamos de cabeça quente. Falamos sem pensar. Desculpa? Não há do que se desculpar. Entenda que pode ter sido pura insensatez. E as desculpas devem ser feitas a você mesmo que não soube diferenciar você do outro. Que não é impossível. Ou é? Sei lá!
Ela já está com outro?!
[...] "ou seja, está na minha cara que tudo isso é uma forma de vingança mal planejada feita às pressas pegando o primeiro que estivesse disponível. Ah mas se existe algo que não sinto é preguiça de procurar em mim dignidade (orgulho). Também sei mudar os ventos, embora isso tenha sempre me custado mais caro do que se eu tivesse deixado ele passar. Mas é também um exercício; uma terapia; uma maneira deu esquecer o que passou, sei lá, (esse papo de que a fila anda), o 'velho novo fracasso', tentando começar algo tão original quanto que mascare a vergonha de não ter sabido conduzir com simpatia e afeto o relacionamento anterior... mas não quero carregar este fardo e nem ficar com este aspecto horrível de derrota. Ai meu Deus eu não quero mesmo! Já desisti. Já me reanimei. Desde menina estou nesta vida. A culpada sou eu; a culpa é de um; a culpa é de outro. Eu sou a maluca. Não. Ele é o canalha. Então me perdoe por favor... E fico pensando assim: já que ninguém morre de amor, vou é entregar-me de qualquer forma a qualquer coisa porque a única atitude que me resta é tentar... é, não posso! O jeito é me permitir! Meu tic tac biológico já não sai da minha cabeça, não sai da minha barriga, não sai de mim. Droga, eu quero ser feliz! Entregar-me à sorte, ou com sorte, me entregar..., porque não sei o que fazer nem o que falar. Eu só quero adaptar-me ao melhor e mais rápido modo de apagar da minha memória todas as coisas que eu quero (para sempre) me lembrar. Fazer o que? Sei muito bem que fazemos ou por obrigação ou por pretensão. Vou continuar assim, achando que o que eu acho é o que é certo, e mesmo que eu esteja errada pelo menos eu apenas achei: nunca impus certezas. Aliás, não as tive, nem sei se as quero. Nunca tive certeza de nada... Também nunca achei estar errada, pelo menos no primeiro momento, para depois dele novamente fazer o que acho que devo; o que acho que mereço: que é tentar... Tentar simplesmente ser amada. Não amada como acho que sou (meu maior erro) mas como realmente sou; como realmente mereço. Independente das minhas inúmeras cabeçadas das tantas coisas estupidas que já fiz? Me perguntei... o que encontrei como resposta e que aprendi a fazer de melhor é chorar* Quer dizer, já nem lembro da última vez que meus olhos ainda produziam lágrimas para se hidratarem. Há muito tempo choro em silêncio, choro com a alma, por conta de tudo isso que nada sei. Nem de entender nem de explicar. Apenas que, — se mesmo eu estando errada; mesmo enganada ou me enganando — é melhor TENTAR do que continuar chorando. E quando conseguir o que não sei; quando finalmente encontrar o sei lá o quê, vou contar para todo mundo que meu sucesso é um pedaço de toda essa minha loucura por amor a mim mesma”.
Amor Adolescente sz
Ontem minha irmã veio perguntar o que eu achava dela tatuar a frase Amor Adolescente no braço. Claro que minha resposta seria algo como: ficou maluca! Vai riscar seu corpo para mais tarde quando estiver com a pele flácida e olhar para aquele tomate estragado escrito no seu braço você se arrepender? Mas não. Não foi essa a resposta provável. Aliás... levei bem uns 30s para pensar o que dizer. Embora eu tenha minhas razões de falar o que deveria... aquela frase era diferente... Não sei se poderia encarar a atitude dela em riscar no corpo uma frase daquela como um ato imaturo ou pensado no calor da emoção. Amor Adolescente não seria só uma frase. Seria, sim, uma frase... cheia de significado. Mas como pode duas palavras fazerem tanta expressão assim? Naqueles eternos 30s permaneci calado. O lapso entre ela e eu era formado por um nostálgico silêncio. Ela me olhando com uma cara de que porra é essa! Claro, a frase era o significado de quem ela era. Que para eu significa o que um dia fui. Porque ao ouvi-la, pela minha rasa memória, embarquei-me numa rápida viagem. Lembrei de coisas que tem a impressão que não vivi, ou perdi sem aproveitar, pelo caminho. Não é nada disso eu sei. É que o tempo nos toma todo o instante que dura. Na adolescência você faz o que hoje você ridiculariza. Quem tem mais que trinta anos não reconhece aquela fase porque a partir dessa idade, principalmente o homem, quer nem pensar nas merdas que fez. Quer se livrar de tudo o que não prestou e sabe que o que fez foi o que acarretou o que hoje ele é. Tanto que aos maiores de trinta a vontade de voltar no passado e refazer tudo é tão intensa quando em qualquer fase da sua vida. Só é possível imaginar a adolescência enquanto se é um adolescente. Depois disso tudo o que te resta é se frustrar ou se arrepender. De ter vivido o q não deveria ou de não ter vivido o que poderia. O amor adolescente não tem preconceito. Você não tem preguiça de acordar cedo para fazer algo com o outro quanto tudo foi combinado. Às vezes é recíproco levantar depois do meio dia. Cara, você fica paralisado! Não há oportunidade de pensar em algo até porque você não quer pensar senão no que mais lhe interessa (o outro). A todo o momento escuta lhe dizerem “acorda!”. E você fica assim, viajando o dia todo. Não vê a hora de chegar o dia seguinte. Cedo ou tarde, que seja. Você quer acordar e se algo não estiver em sincronia você não entende e cai em confusão, já que não tem a mínima ideia do que é ser ou não ser correspondido. Do que é ser entendido. Mas que se dane! Tudo vale! E se não valesse já teria então acabado. Não tem graça pensar nos porquês. Não tem graça se houver timidez de se atirar no assento do metrô ou sentar bruscamente na calçada de uma praça. Falar alto só para provar sua coragem, sua disposição em gostar, em curtir, em viver! Nada precisa ser comprovado diante do estar junto e tudo o que vier a te incomodar você de imediato jamais ira compreender. O não-entendimento o destrói por dentro e sem parâmetro sobre como pensar ou entender você se afoga em si mesmo na melhor das intenções. Uma vontade louca de sumir. De evaporar. Nada quando não se encaixa se acomoda. Mas quando se acomoda tudo se encaixa. As exigências são os prazeres e os prazeres são as exigências. Coisas como a música mutuamente compartilhada. Aquela roupa que embora a troque todos os dias todos os dias você enxerga sempre a mesma. A piada de sempre! Coisa de adolescente! Coisa que “se não fosse isso e era menos, não fosse tanto e era quase - Paulo Leminski”.
Um exemplo. De Rubem Fonseca
Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando impostação de voz, a música quadrifônica do quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala?, perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar.
Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?
A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e a minha mulher estávamos gordos. É aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher nada pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta. Vamos dar uma volta de carro?, convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.
Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, botei na rua, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na avenida Brasil, ali não podia ser, muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminada, cheia de árvores escuras, o lugar ideal. Homem ou mulher? Realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições, comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava, o alívio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande dose de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda, um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões, dei uma guinada rápida para a esquerda, passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando, de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em nove segundos. Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de subúrbio.
Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.
A família estava vendo televisão. Deu a sua voltinha, agora está mais calmo?, perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fixamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia.
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Essa crônica “Passeio noturno”, por Rubem Fonseca é um exemplo de comportamento que muitas pessoas nomeariam como maldoso ou maligno no sentindo de ser bárbaro ou cruel, o que não é verdade. A atitude insensata do personagem em praticar o ato criminoso caracteriza não só uma busca necessária de satisfação diante aos seus anseios como também uma falha na atividade cerebral. O que seria fazer algo integro? Seria fazer algo aposto ao que em um acordo definiu-se o que seria improbidade? Mas nem toda a consciência humana é capaz de obedecer regras. O prazer de uma pessoa as vezes está em transgredir os ideais da boa convivência social. De transgredir a ordem. De pensar contra fluxo. De quebrar paradigmas. E tudo isso não deixa de se tratar daquela atividade cerebral. Daquele processamento de ideias. A questão então é como julgar um sujeito que pensa assim? Dai vem aquele profissional na área psicossocial fazer das minhas palavras as dele como um ato de complacência. Ridículo! Excluído possibilidade medicinais e avanços nas ciências neurológicas, remédio pra insensatez é dar com a mesma resposta. É pagar com a mesma moeda. Que não servirá apenas como uma forma de responsabilização como de exemplo a mudança dessa cultura indulgente que o Brasil ama adotar e manter diante de marginal vagabundo que não vale nem a própria vida!!!
Duro é mentir para falar a verdade. Porque tem mentiras que por mais elaboradas que sejam, não disfarçam a realidade. Mas o bom é ser sincero com a mentira. Pelo menos sincero consigo mesmo. Dar uma razão a ela. Tem pessoas que mentem por prazer ou por covardia (conheço várias). Mas mentir por medo; por vergonha; por compaixão... Tudo que o outro espera é respeito e compreensão. Sendo falsas ou não, não importa. Não tem como saber. Que também infelizmente não tem como evitar. Que a mentira pode ser contada como um gesto de sinceridade. Por respeito ou compreensão. Mas se preferir a verdade... Fale! O problema é que na maioria das vezes as pessoas não sabem o que fazer com ela.
1 de julho de 2014
Essa frase me pareceu surpreendente. Sua
expressividade é real é intensa no sentindo de identificar outros contextos a
palavra abstinência. Que tem maior significância e popularidade a privação do
uso de drogas. Mas a imagem revela outros padrões. Uma abstinência talvez de
sentimentos, de afetos... As pessoas se decepcionam tanto que é natural
perderem as esperanças. Perder a fé ou simplesmente recusá-la. Aliás, é um
direito se abster, e apesar de angustiante, isento de remorso e consequências.
Afinal de contas muitas coisas que nos ocorrem não são obras das nossas estratégias
nem planos que a nós instituímos. Ocorrem alheio a nossa vontade e muitas vezes
contra nossos objetivos, independente de virtudes e qualidades boas. Parece que
não há importância a nossa sensatez. Se tivermos bom senso ou se para tudo que
fazemos damos fundamento. O que nos remete a se abster contra nosso ânimo,
contra nosso desejo de querer. E ai não vemos a hora disso passar.
Ótima imagem.
8 de junho de 2014
O tempo só não cura o tempo perdido. Essa imagem me faz lembrar a história escrita por Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido, que terminei de ler recentemente. Entendi que as vezes vale muito mais buscar a cura em troca de algum esforço do que esperar que o tempo cure todo o inesperado. Porque o tempo até pode resolver certas coisas, o problema é que não resolve no tempo certo e sim no seu tempo que corre; no tempo que não faz mais do nosso presente aquele que foi nosso passado. O tempo, embora cicatrize, não apaga as marcas deixadas pela sua demora. Ainda quando tudo era o agora. Ainda quando tudo aconteceu. Pode ser que esperar pelo tempo seja pura perda dele. Esperar que chova para molhar a flor. Esperar que amanheça para se desculpar. Voltar atrás só quando a saudade bater. Pode ser que tudo dê certo e que o tempo traga toda a saúde de uma vida desejada. Mas o tempo nunca trará o que passou. O momento exato do entusiasmo original. A forma pura e genuína de cada gesto de cada ternura. O instante que você acreditava não durar. O que não é verdade. Pois um instante dura. Ir em busca do tempo perdido pode ser tarde demais, ou desperdício demais. Esperar pelo tempo é ter paciência e ter paciência pode ser não ter interesse, uma vez que o decorrer do tempo nos traz ameaças mas também oportunidades. Não de voltar a trás, mas de recomeçar o quanto antes.
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Eu
Me Chamo Antônio
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12 de maio de 2014
amar é amar
não quero acreditar que só devo te amar o quanto poder, e que o amor que sinto jamais poderá ser involuntário
quero acreditar que amar é amar, e que pra ser amor que seja incondicional
8 de maio de 2014
(às vezes) Homem presta!
Estranho ne. Quando você se dedica. Quando você sente vontade de estar junto. De ligar pelas manhãs, ou mandar todos os dias um bom dia por perceber o quanto isso é importante e o quanto seria ruim deixar de falar isso para alguém que você sente ser especial. Quando você trata com educação. Quando você quer sempre conversar sobre os problemas e discutir a relação. Quanto você está com toda a paciência do mundo para isso, afinal sua maior vontade é entender tudo o que atrapalhar para ajustar os interesses e necessidades. Quando você proporciona carinho involuntário. Fala baixo e com calma. Marca horários e chega com antecedência. Não deixa o celular tocar mais que três vezes e não demora mais que um minuto para responder qualquer que seja a mensagem. Quando você faz questão de tirar fotos, seja lá como estiver, na intenção de registra uma fase que você se arrisca dizer ser inesquecível. Quando você mesmo com aquela coisa de homem, na maior vontade de fazer uma sacanagem, se controla para não perder a delicadeza do momento e, sobre aquele dia de folga, inventa um passeio tosco em algum lugar só para bancar o romântico. Quando você não tem medo dos seus sentimentos e sabe que talvez poderá ser esnobado por aqui que falou mas fala, fala sem medo, sem censura, sem receio, porque o que você quer, (a única coisa que você quer) é fazer com que tudo fique claro, sem margens de má interpretação. Quando você faz várias coisas erradas só para chamar a atenção, testa os limites do amor por ti, ou provar para você que ela te quer tanto quanto você quer ela. Pior é quando depois de tantas mancas ela por não ter uma conexão tão intensa simplesmente diz que acabou e que não dá mais. Daí você pensa que fez a pior besteira que podia fazer. Começa a se culpa e corre atrás dela mantendo-se discreto ao expressar seu desespero. Tenta explicar da melhor forma possível. Tenta reatar. Tenta convencer. Entra em conflito, por amar e estar arrependido e por não querer se humilhar se se sentir em parte vítima. Quando parece que tudo volta ao normal e que uma chance parece se acender em meio aos conflitos e toda àquela guerra de indiferença, só que não; tudo fica mais frio que antes. Uma falsidade solta no ar. Pura hipocrisia ou mero sentimento possessivo. Você pensa, só não me liberto porque não suporto a ideia de não ter nem mesmo essa guerra, nem essa esperança de vitória. O problema é que o fim de um relacionamento não como o fim de uma guerra. Onde saem vencedores e fracassados. A separação é como se você tivesse cede de conquistar um paraíso mas o paraíso não é um lugar que se você chegar nele sozinho ele será maravilho. O paraíso sem quem você ama não existe. A guerra nesse caso fica meia sem sentido porque o objetivo era sempre o mesmo, ser loucamente feliz. Quanto você resumindo ama, você acha que a pessoa não dá valor, e na realidade não é nada disso. A pessoa simplesmente não te ama o quanto você gostaria que te amasse. Você passa a entender isso, e o que você começa a fazer? A não querer amar ninguém. Por isso que eu respondo sempre quando me pergunto: o que é a vida?
Um doce veneno.
17 de novembro de 2013
Falsidade é um mal necessário
Não dá para dizer a verdade o tempo todo. A sinceridade tem limite e o limite é sempre próximo. Quando acha que está fazendo a coisa certa; está atingindo seu objetivo, se dá conta de que fez tudo contrário. Percebe as consequências e tenta se justificar pelas virtudes como se virtude fosse algo amplamente aceito para todos os momentos. As pessoas; o mundo, não querem verdades, querem soluções. Ser verdadeiro é ser perigoso. Não que ser mentiroso é ser diferente, mas quem mente tem a outra chance. Tem uma segunda oportunidade de reparar o que fez. Quando se é franco, é franco é ponto. O assunto morre. A conversa acaba. O silencio permeia. Falar constantemente a pura e sagrada verdade é como pular na multidão, uns vão se incomodar, outros vibrar, e você, sem perceber, pode se ferir ou ferir alguém. É verdade que quem é verdadeiro, quem é honesto tem sempre boa-fé. Não mede palavras para dizer que fez o que fez pelo bem. Pode parecer antipatia, mas falar a verdade é falar a verdade; é sofrer de uma só vez; é poupar de repetir o assunto, de voltar ao passado. Ser verdadeiro é ser livre. Gerando consequência ou não, a verdade liberta. O verdadeiro, o correto, erra menos. Pois como não falta com a verdade, não pode se sujeitar a situações que o comprometa, já que sabe que depois não conseguirá negar nem para si nem para outrem. A vida de quem fala a verdade é sempre ponderada, é sempre metida a ser justa. Quem fala a verdade é tão calculista quanto se possa imaginar. Mas para todo e bom verdadeiro há sempre aquele que fala sem pensar. E saí contando verdades por ai. Acha que é um triunfo ser o que é. Eu já contei tantas verdades. Sem falar nas que pensei em dizer só depois da situação ter se passado. Quase nunca ganhei com isso. Falar que ser sincero é ser inteligente; que falar a verdade é sempre a melhor atitude é a mesma coisa que falar na esperança que para tudo na vida basta ter fé em deus; que beleza vem de dentro; que não se deve importar com que os outros pensam; que não se deve reparar na beleza e sim no caráter; que dinheiro não traz felicidade: quem diz essas coisas além de ser pobre é burro. Curioso que às vezes falar a verdade é falar mentira. Porque sua verdade pode ser apenas sua, e quem pode negar senão você? De toda a forma a verdade, bem como a mentira, serve para humilhar, para descobrir. A verdade, oposta a mentira, dói, frustra, magoa. A verdade gera ódio, guerra, vingança. A verdade não conforta, desespera. Mas, entretanto, não há nada mais aliviante que obter, por meio da verdade, a prova da inocência. Contudo, a verdade nem sempre salva. Você pode até descobrir quem é o culpado, saber quem matou, quem roubou, mas saber isso nem sempre muda o fato de que às vezes o que se foi não se volta. Nem sempre traz um fim ou solução. Porque embora você seja o mais verdadeiro possível, você nunca será perfeito. O problema aqui é que ser verdadeiro não isenta de ser ignorante, de ser traiçoeiro, de ser mesquinho. Não é a verdade que modela o caráter. A mentira menos ainda. A questão é resolver ou quem sabe agradar, com mentiras ou verdades, amor, tanto faz!
25 de agosto de 2013
Você sempre será bela
A beleza do rosto está na juventude da vida? Seria possível adivinhar qual sua idade? Assim, nessa fase entre uma e outra. Assim, ao te olhar de repente. E te encarar como um cientista encara um problema. Portanto eu te analisei quando veio me chamar. Disse o que queria dizer sem ao menos notar. Quanto eu a reparei. Vi uma menina parda de dúvida. Com um tocante brilho nos olhos e as ideias ainda cheias de esperança. Eu vi um sorriso largo e sem curvas. Uma gargalhada aguda e sincera. Eu vi o que se foi e que não voltará.
Tratei de reparar dentro do espaço daqueles ligeiros segundos as cintilantes expressões do seu rosto. As enigmáticas feições que lhe davam por parte de mim o benefício da dúvida. Sobre sua mocidade. Sobre sua simplicidade. Afinal quem é você. Quem você foi. O que você viveu. E será que tudo foi o bastante. Será que algo de lá para cá a transformou em alguém melhor. Ou você melhor foi quando hoje não é mais. Está mais bela. Ou será que foi tanto quanto.
Como acreditar no que vejo apenas por que o que vejo me encanta. Deixa-me sem fala. Fazendo-me pensar no inevitável. Na degradação fatal e desautorizada. Na sua decepção de se ver e não se reconhecer. Confiante de que o tempo tarda. De que ainda há muito que aproveitar. Pois ainda é tempo de se divertir. É tempo de viajar, inclusive ao passado. Pensando no que deixou de fazer e se ainda há oportunidade.
Mas vamos então. Quantas vezes já não fez as unhas. Quantas vezes já não se desapontou. Já não chorou de raiva. Viu o dia em que nasceu como um dia arrepiante e cheio de verdades das quais você recusa aceitar. Porque embora você ainda ache estar bela, não significa que esteja jovem. Que é o que mata. O que silencia. Fazendo-te elaborar uma estratégia. Arquitetar um plano. Que não te ajudará por toda a vida, mas você sabe que ao menos disfarçará as impressões.
Você precisa de alivio para o sufoco intenso que seu reflexo te dá, colocando-a entre o adolescente passado e encanecido futuro. Entre a alegria que não sabia e o sentimento que também não saberá. Você poderá até achar injusto, pois eu também achei. Quando refleti nos detalhes da sua face. No amarelado dos seus dentes. Nas linhas envoltas a sua boca. Na flacidez do seu corpo. Naquilo que te consome. Que te faz tornar o que não quer.
Mas acho que você é tão bela que nem o tempo poderá mudar, até porque a nossa percepção, assim como nosso rosto, por conta do tempo também muda.
Tratei de reparar dentro do espaço daqueles ligeiros segundos as cintilantes expressões do seu rosto. As enigmáticas feições que lhe davam por parte de mim o benefício da dúvida. Sobre sua mocidade. Sobre sua simplicidade. Afinal quem é você. Quem você foi. O que você viveu. E será que tudo foi o bastante. Será que algo de lá para cá a transformou em alguém melhor. Ou você melhor foi quando hoje não é mais. Está mais bela. Ou será que foi tanto quanto.
Como acreditar no que vejo apenas por que o que vejo me encanta. Deixa-me sem fala. Fazendo-me pensar no inevitável. Na degradação fatal e desautorizada. Na sua decepção de se ver e não se reconhecer. Confiante de que o tempo tarda. De que ainda há muito que aproveitar. Pois ainda é tempo de se divertir. É tempo de viajar, inclusive ao passado. Pensando no que deixou de fazer e se ainda há oportunidade.
Mas vamos então. Quantas vezes já não fez as unhas. Quantas vezes já não se desapontou. Já não chorou de raiva. Viu o dia em que nasceu como um dia arrepiante e cheio de verdades das quais você recusa aceitar. Porque embora você ainda ache estar bela, não significa que esteja jovem. Que é o que mata. O que silencia. Fazendo-te elaborar uma estratégia. Arquitetar um plano. Que não te ajudará por toda a vida, mas você sabe que ao menos disfarçará as impressões.
Você precisa de alivio para o sufoco intenso que seu reflexo te dá, colocando-a entre o adolescente passado e encanecido futuro. Entre a alegria que não sabia e o sentimento que também não saberá. Você poderá até achar injusto, pois eu também achei. Quando refleti nos detalhes da sua face. No amarelado dos seus dentes. Nas linhas envoltas a sua boca. Na flacidez do seu corpo. Naquilo que te consome. Que te faz tornar o que não quer.
Mas acho que você é tão bela que nem o tempo poderá mudar, até porque a nossa percepção, assim como nosso rosto, por conta do tempo também muda.
24 de agosto de 2013
Nada pior
Que sempre correr e nunca alcançar. Ser achado ao se esconder. Gritar e ninguém escutar. Procurar e não encontrar. Criar e não ser reconhecido. Respeitar e ser mal tratado. Que se sentir feio. Rejeitado. Que acordar segunda-feira. Ou contemplar aos domingos o rápido pôr do sol. Ouvir a verdade e até ser obrigado a dizê-la. Lutar e não vencer. Ser corrigido. Mudar bruscamente de rotina. Depender dos outros. Se esforçar em vão. Errar mais de uma vez. Trabalhar de graça. Despertar de um lindo sonho. Chorar e ninguém se comover. Se arrepender e ninguém perdoar. Merecer e não ganhar. Não existe nada pior que sentir saudades. Ou vergonha. Ser mal entendido. No momento em que finalmente avança, ser barrado. Ser roubado. Ser humilhado. Acordar depois do ponto. Esquecer justo quando deveria lembrar. Ninguém com quem confiar. Não há nada pior que uma ressaca. Não há nada pior que se sentir solitário. Fazer parte de um acidente. Romper um relacionamento. O primeiro instante ao saber que será pai. O primeiro instante ao ser informado que alguém querido se foi. Nada, nada pior que ser agredido injustamente. Ser expulso sem razão. Dormir com remorso. Ser acusado. Ser excluído. Perder. Dever. Não existe nada pior do que querer e não poder ter. Do que ser enganado. Ou traído. Sentir inveja. Sentir raiva. Sentir medo. Não saber o que fazer. Não há nada, absolutamente nada, pior que saber que independente de como for tudo ainda pode piorar.
São
Paulo dia 19 de Agosto de 2013
Escrevi
este texto em sala aula após ouvir uma colega dizer que não há nada pior que
escrever.
21 de julho de 2013
Avon
A tristeza apertou meu coração fragilizado que hoje à tarde parecia se partir em mil pedaços. Seu conteúdo escorrido entre promessas quebradas, nos lugares vazios que meu amor costumava preencher. Apoiei o rosto na vitrine molhada e aquele olhar pálido, como um tempo nublado, deslizou lentamente acompanhando o agonizante poente do sol. Como poderia eu saber se esta dor um dia iria terminar? Aquele amor, ao contrário da matéria ou da energia, era uma fonte infindável no universo. Ali sentando eu me transbordei. Que loucura foi acreditar poder obter o que não era meu. Que frio profundo são estes dias de saudade. Da falta que me faz aquele sorriso soltos em momentos que ainda guardo como recordação.
Um sentimento que crescia a partir do nada. Que não podia ser erradicado nem mesmo do mais negro coração, protegido por um peito machucado. E eu que deveria evitar, porque infelizmente já não há mais tanto folego assim. Se eu soubesse disto, e quem diria que eu iria acreditar? Que antes de uma verdade há sempre outra verdade. Não teria nem uma chance de permanecer no triste banco tomando chocolate até àquela hora. Para que eu não tivesse que saber a segunda verdade antes da primeira; que sentir amor era carregar uma linda xícara que podia se perder ou ser quebrada. Pior, derramar sangue vermelho pelo chão e que o amor não era imutável. Ele pode se transformar em ódio como o dia se transforma em noite e como a vida se transforma em morte.
12 de julho de 2013
Suco ou semente
Ter amigos é realmente ter tudo. Em contra partida, essa afirmação é um paradoxo, pois as ligações que se estabelecem entre amizade e apoio são como uma via de mão dupla. A amizade, por mais importante que seja, nos aprisiona na atividade de dar é receber. E a esperança, nesse processo, age como um vício que proporciona a ligeira segurança de existir uma saída para os momentos de aflição.
Quando se está em família, por exemplo, há a preocupação constante em tirar notas boas; de chegar cedo; de ponderar nas amizades; nos hábitos; nos relacionamentos; de calibrar momentos de ócio, lazer, dialogo, educação e trabalho. Se algo sair do lugar, será motivo de questionamentos e indiretas. Não trazer resultado significa maior cobrança e não muito diferente que um trabalho, as metas devem ser sempre superadas.
Quando se está entre amigos haverá sempre a questão de confiar ou não. De ter certeza que poderá contar quando precisar, que nem sempre se tem. E não dá para negar que ao ser ajudado se aludi um leve sentimento de vergonha e que às vezes é interpretado por quem ajudou como ingratidão. A realidade é que a última coisa que queremos é precisar da ajuda de alguém. Até porque, ser ajudado pode demonstrar sentimento de compaixão e simbolizar fragilidade do ajudado em não poder ele mesmo se ajudar.
A contradição está, então, ai. Não é possível afirmar que não ter amigos é não ter nada. Ao invés disso, contar com outros é, em muitos momentos, se escorar nos muros da sorte alheia. A amizade é uma barganha. Uma prisão de afetos. Momentos de dedicação infindável e forte apego pelo receio de um dia se desapegar. São precavidas atitudes e delicados cuidados que nutrem a partilha da qual nos cercam e nos limitam.
Ter amigos é ter algo a se prender, que para muitos não deixa de ser uma forma de liberdade. Porém, a liberdade genuína é a liberdade de se estar livre. No mundo das relações sociais o poder está na autonomia e a estratégia na união de interesses. Quanto menos você depender das pessoas, mais livre você se tornará. Isso é mais uma escolha. Desfrutar do refrescante suco transgênico da independência ou cultivar com paciência as sementes da amizade.
14 de junho de 2013
A responsabilidade de ser responsável
Se autossustentar é um desafio que o coloca a beira do desconhecido. Você não sabe o que fará caso perca o emprego. Não saberá o que fazer caso fique doente. Mal enxerga o ano passar. As doces e encantadoras expressões da vida são sutilezas que passam despercebidas aos seus sentidos. Como um animal, você só pensa em sobreviver. Quase todas as notícias são assustadoras. Os edifícios altos, as construções deslumbrantes, os espaços vazios, inclusive o céu, são objetos de cobiça para sua autopreservação.
Autonomia e poder de pagar em todas as manhas um café com pão na chapa é ariscado tanto quanto seguro. Uma confiança que não se pode confiar. Segurança completamente insegura. Um problema que também é uma solução. A experiência é a única ferramenta que modela o sujeito a ter condições de suportar a incerteza. Você precisa passar pela situação para no futuro saber evitar ou amenizar. Enfrentar a primeira vez de algo é enfrentar uma grande piscina, funda e de água gelada. Azul porque é irônica. Como um sorriso malicioso. Um carinho violento. Ora, a incerteza esconde algo que pode ser bom, ou, ruim.
Andar pelas ruas com os ombros erguidos. Rir sozinho. Conversar com estranho como se o conhecesse, e ser correspondido. Estar alegre e ter a tranquila lembrança de que tudo está no lugar. Como colocou, como deve ser. Situações de vida que não é fácil conquistar só. É como segurar seu próprio corpo sobre um precipício. Ter responsabilidade de se responsabilizar por si é a evolução que cedo ou tarde o homem deverá se submeter, ou, será submetido.
A vida de alguém se passa em etapas. Algumas destas perduram por períodos maiores. Começar as coisas mais cedo pode resultar em terminar mais cedo. A fadiga de ser responsável por si é rigorosa, mas não é mais que ser responsável por um filho. Fico imaginando como reagirei ao receber uma notícia de que serei pai....?!?!
18 de maio de 2013
Estar pobre e triste às vezes é estar extremamente consciente
Existe mais podre do que rico? Lógico que sim. Podre é a classe dominante. Existe mais felicidade do que tristeza? Lógico que não. Tristeza é o sentimento dominante. Algumas pessoas acham que sou triste. Que sou, então, mais um choram em meio aos fracassados. Só que quem pensa assim ainda não descobriu que eu olho sempre para mim; e por isso, fico sempre alerta para não errar em uma coisa: no julgamento. O Podre se preocupa muito em melhorar de vida. Em se tornar, assim, um rico, quem sabe. O Triste pensa, como pensa, em um dia viver alegremente. Passa horas à procura da felicidade, que proporcionalmente se aparenta distanciar. Ambos, Podre e Triste, quase não possuem tempo para pensar na vida dos outros, até por que se dedicam, quando querem, plenamente em melhorar a sua. O Pobre e o Triste sabem o que é ser julgado e com isso aprendem melhor a se julgar.
No novo quintal onde moro existe uma família. Essa família é a proprietária do imóvel. Eu moro de aluguel na casa dos fundos, e minha parede divide meu quarto com a dessa família. Aliás, nem sei se é bem uma família. Pelas conversas que ouço através de seus gritos, posso entender que ali vive um velho, talvez o dono. Uma velha, provavelmente dona de alguma parcela da propriedade. Uma filha e uma neta. Todos brigam entre si. Em nível de guerra. E depois desta última noite, se eu achava que na minha casa vivia-se um inferno, aqui é algo pior. As discussões se desenvolvem facilmente e sempre por coisas fúteis. No decorrer do conflito — que às vezes o que está em cheque é algo insignificante como um copo que caiu no chão — começa-se a falar de acontecimentos passados e as lembranças trazem recordações de fatos que deveriam ser esquecidos. Os gritos, os berros. As coisas que caem ao chão, semana a semana. A neta que se desespera e se penetra na situação fazendo presença ao colocar seu pronto de vista: CHEGAAAAAA! CHEGAAAAAA!
Tudo começa pela filha. Ela é a pessoa que mais se incomoda na casa, e se incomoda com tudo. Ela parece muito comigo, inclusive. Em todos os aspectos não. Apenas em um: no julgamento. Antes de parti da casa de meus pais, achava sempre estar certo. Julgava-me ter razão, e os outros, defeitos. Nossas brigas familiares, pelo menos, eram mais lúcidas. Havia mais conversa e em alguns momentos parávamos para buscar um saudável dialogo. Entretanto, nunca existiu acordo, nem contentamento. Era outra guerra. Deitado na cama do meu quarto e escutando todos os escândalos durante a madrugada, comecei a perceber o quando é difícil entender os defeitos dos outros enxergando os defeitos nossos. A filha se acha perfeita e por tanto, não aceita falhas. Ela não se acha triste. Acha, apenas, que os outros a fazem se sentir assim. Ela nunca vai tomar a atitude que tomei. Ela nunca vai encarar sua realidade, encarar a si mesma.
Tenho muitos motivos para me entristecer com meu pai, porém, tenho muito mais para agradecer. Ele fez o que fez, e fez de tudo isso a sua parte. Cabe agora a eu fazer a minha. Sou Triste com isso. No fundo eu queria muito te dizer boa tarde! Isso, simplesmente boa tarde. Queria poder te ver todos os dias. E conversar sobre as coisas boas. Quero tanto ver nosso melhor, tanto. E para isso sei que em primeiro lugar devo te respeitar acima de qualquer coisa. Você jamais me verá agir de uma forma pela qual não seja compatível com seu interesse. Embora seja difícil saber o interesse das pessoas, eu sei mais ou menos me atuar. E nessa minha ação você poderá me achar frio, desmotivado ou triste quem sabe. Não dói se comunicar. Às vezes nada tem a ver com preocupação, mas "apenas carinho". Daí, de repente, também, eu fique muito extrovertido, e você normalmente pode dizer: está passando dos limites.
Você pôde ver a minha outra face. Um dia acreditou que eu era misterioso, inteligente e interessante; depois, muito recentemente, teve certeza de ter se enganado ao ver completamente o oposto. Hoje, quem sabe, você esteja confusa. Sem saber quem eu sou. Ou quem sabe tenha se contentado, porque talvez você já tenha vivido isso e ao olhar para minha atitude viu uma fase da situação e comportamento que julga ser inerente a todo o ser humano. Ou seja, viu um menino, que demonstra ser pobre e triste. Pode ser que eu seja. Tem gente que acha. Mas já ouvi comentários contrários. Tem pessoas que não vê outro Guilherme se não o crítico literário.
Meu pai acha que eu sou louco. Minha mãe acha que sou um artista. Minha irmã tem hora que me cópia; hora evita fazer tudo que faço. Vários tem certeza que sou alcoólatra e poucos, drogado. Alguns acham que trabalho, outros que estou desempregado. Que moro com meus pais ou que moro sozinho. Algumas meninas falam que sou romântico e delicado, outras, que sou arrogante e insensível. Eu um dia cansei e assim, me perguntei: quem sou eu que tanto faço de mim? E uma plateia parou para ouvir a resposta, que ainda está sendo respondida. As pessoas entram em nossas vidas para justificar quem nós somos. Eu jamais poderia dizer quem eu sou sem dizer o que para mim você foi, por exemplo. Você fez parte da minha história e eu fiz parte da sua. Boa ou ruim, uma história tem sempre um final verdadeiro.
Boa tarde. Simplesmente boa tarde!
São Paulo, dia 18 de maio de 2013
9 de abril de 2013
Alguém para agradecer
Nesse Domingo marquei de me encontrar no Centro. Cheguei no horário certo e, com meu comportamento, fiz bonito. Tratei de dar toda atenção a mim durante todo o passeio. Observei minha relação com esse urbano mundo metropolitano; e cabei por descobrir que não gosto tanto de estar ali.
Não sei como explicar, mas olhei para coisas que antes não reparava. Nunca vi lugar para ter tanto ladrão, usuário de droga e morador de rua. Sem falar do cheiro de urina por todo o lugar. Embora todos cidadãos, sem querer sujam as ruas e poluem mais o ar.
Estava com a mente saturada. Eu tive que urgentemente procurar um lugar limpo para comer e descansar. Foi quando avistei o shopping Light. Dirigi-me ao quinto andar, sentei-me e pedi uma refeição. Enquanto aguardava, olhava ao redor e pensava: até o shopping daqui é esquisito. Não existem cores no Centro, e os que querem colorir, não colorem, urbanizam. É um simples preto e brando que forma a escória da sociedade.
Depois da refeição, veio-me uma vontade enorme de agradecer... Meu destino para noite era um lugar do Centro chamado Jam Olido. Evento musical, da cena Hip hop e Charme, que abre espaço a coletividade para o lazer e cultura todo primeiro domingo do mês.
Localizado na República, o ambiente é a Galeria Olido. Um salão moderno e com paredes de vidro, feito de modo estratégico para quem estiver de fora ver o panorama da festa. A atração, mesmo sendo gratuita, não possui publico grande. Só participa quem realmente gosta de dançar musica Black, Disco, entre outros.
Durante a volta, passei em frente a uma igreja. Saíram pela sua porta uma família. As crianças cantavam um musica gospel bem familiar. Lembrei de quando ia à igreja também. Lembrei da confiança que carregava comigo. A confiança de que nunca estaria só e de que nada daria errado. Se depois de um tempo você deixar de acreditar naquilo que desde a data de seu nascimento ensinavam-lhe, é certo que em algum momento futuro sentirá falta daquela fé.
Mas não sinto essa falta por que receio o imprevisto. Já passei por situações de perigo e não me apoiei em segurança espiritual alguma. Só queria alguém para agradecer. Se Deus existe ou não, ele foi o único que, naquela noite olhando para aquele lugar, eu encontrei.
Não sei como explicar, mas olhei para coisas que antes não reparava. Nunca vi lugar para ter tanto ladrão, usuário de droga e morador de rua. Sem falar do cheiro de urina por todo o lugar. Embora todos cidadãos, sem querer sujam as ruas e poluem mais o ar.
Estava com a mente saturada. Eu tive que urgentemente procurar um lugar limpo para comer e descansar. Foi quando avistei o shopping Light. Dirigi-me ao quinto andar, sentei-me e pedi uma refeição. Enquanto aguardava, olhava ao redor e pensava: até o shopping daqui é esquisito. Não existem cores no Centro, e os que querem colorir, não colorem, urbanizam. É um simples preto e brando que forma a escória da sociedade.
Depois da refeição, veio-me uma vontade enorme de agradecer... Meu destino para noite era um lugar do Centro chamado Jam Olido. Evento musical, da cena Hip hop e Charme, que abre espaço a coletividade para o lazer e cultura todo primeiro domingo do mês.
Localizado na República, o ambiente é a Galeria Olido. Um salão moderno e com paredes de vidro, feito de modo estratégico para quem estiver de fora ver o panorama da festa. A atração, mesmo sendo gratuita, não possui publico grande. Só participa quem realmente gosta de dançar musica Black, Disco, entre outros.
Durante a volta, passei em frente a uma igreja. Saíram pela sua porta uma família. As crianças cantavam um musica gospel bem familiar. Lembrei de quando ia à igreja também. Lembrei da confiança que carregava comigo. A confiança de que nunca estaria só e de que nada daria errado. Se depois de um tempo você deixar de acreditar naquilo que desde a data de seu nascimento ensinavam-lhe, é certo que em algum momento futuro sentirá falta daquela fé.
Mas não sinto essa falta por que receio o imprevisto. Já passei por situações de perigo e não me apoiei em segurança espiritual alguma. Só queria alguém para agradecer. Se Deus existe ou não, ele foi o único que, naquela noite olhando para aquele lugar, eu encontrei.
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